demoro ainda em pensar este blog como objeto concreto de tantas experiências. demoro ainda, mas de antemão saiba, há rito, há rito mágico neste sítio - agora, mais do que nunca descobrindo a língua portuguesa, em território civilizado estranho a minha língua cheia de palavrões e usando termos de Portugal, outro sítio que ainda irei descobrir - há rito mágico para que a vida aconteça, que o milagro de escrever apareça como um caminho (chemin ontopoetique) essencial para preencher este tempo estranho e real.
o rito mágico é que toda vez que eu postar neste blog será de uma maneira que toma o sagrado mistério da vida - e o profana em línguagem intraduzível, pois o que sinto é intransponível
mas por razões políticas (não só uma racionalidade, veja bem) eu escrevo este blog, para que os arabes façam suas reformas civis (urbes, campo, tradição e religião), que o Irã volte a ser o de Persepólis, que as mulheres possam ter mais liberdade e parem de institucionalizar o medo de perder a mulher, ame-as, eu sei que as ama, mas é deprimente ver uma mulher triste forçada a conviver contigo, homem arabe. não perderás teu sentido se conhecer a liberdade ocidental (técnica, meritocrática, escrota, mas livre em seu entendimento intelectual, as pessoas não a praticam, são hipócritas porque vivem em máscaras, em identidades falsas para serem aceitas).
que por outro lado os ocidentais parem de crer que a Ciência é a única deusa respeitável, que é a única que funciona, por mais concreta e objetiva possível, ela não explica muita coisa, ela só resolve questões de ordem prática, mas e os milagros? e os fatos que não sabemos? aceitem o não saber, aceitem a moral do outro e parem de ser hipócritas - ô epidemia sem cura no mundo ocidental.
aceitação, todos nós queremos. todos nós encontramos como caminho esta busca para preencher os sentidos que conduzem, concebem (concevoir também pode ser engravidar), que dão vida.
e, por isso, toda postagem terá um rito, o de hoje. clássico grego chinês (uma taça de vinho da noite anterior dormido em Dionise-se e um baseado bretão - chinês pq a maconha mais antiga tá na china, hehe)
e, por isso, também será político para criação de novos territórios selvagens onde somos mágicos, intuitivos, pessoais, íntimos, por vezes éticos em aceitar como resposta uma erótica à violência bestial de l’autre - ao perverso prazer da crueldade, da humilhação, da violação da liberdade do outro, cultura do terror e da humilhação, hierarquia como identidade cultural onde todos são só, não é elite parisiense? pq um otário
(paradoxo da liberdade me permite xingar com quem eu não concordo como vive, apesar de o aceitar com a mesma indiferença racista e egoísta, non debonniste)
faz um estrago emocional em muita gente todo dia durante muito tempo, ele morre deixando seus rastros de ódio e recalque (o racismo aqui aparece até nos próprios europeus, como os portugueses e um cinismo com os alemães hypsters), mas como minha desconfiança é que este povo aqui em seu geral adora (ama) o exótico-selvagem, coleciona máscaras africanas e lê os tratados do budismo, ou seja, Paris é uma cidade do mundo, que quer verdadeiramente ser universal (manger le monde) e querida, Paris é uma mulher direta, que gosta de comer, sua gourmandise é de reis e naturebas japoneses, ela dá em cima, mas espera uma bajulação, é esquiza, você pode enxergar uma Rio de Janeiro com ciúmes - não fique, também te amo - tirando os otários que são poucos mas fazem grandes estragos - toda cidade transparece seu mundo. o que ocorre é que aqui mesmo no frio da porra, mesmo com gente otária e fresca (pseudo civilizado, porque é bestial quando se trata de rir, fazer chacota no cotidiano do outro, por mais estranho q te pareça a hierarquia não é argumento para uma moral da humilhação, ou ser falso consigo mesmo) mesmo assim essa cidade me preenche de calor de belo (como se) a história tivesse um gosto, um gosto gostoso, eu como Paris, com direito a Fernando Pessoa e um certo ar de estarmos fudidos sem grana bebendo vinhos de três euros, caindo na sarjeta em saint martin ou como aquela margem se chamava conversando com amigos portugueses e brasileiros, uma pequena tribo rindo e bravando. Paris me recebeu rapaz, e sua linda que me come também, eu dei por alguns dias consecutivos meu corpo a Paris, exausta a espera de Pierre-Emmanuel - minha, sim, ontologia amorosa, que me dá quietude e silêncio neste caos organizado para saber que meu único medo atual não é nem morrer, é que ele se apaixone por outra, medo de mulher das mais animais amazonas, que se entrega a morte por ele, que se entrega ao julgamento das amigas em se assumir completamente entregue a este macho civilizado, do cinema, ai que tesão que ele me dá, ai que gozo sinto na buceta só de pensar neste real tranquilo e nada parecido com um territorio selvagem, o amor não será selvagem aqui, o sexo sim. e esta é minha loucura de agora, desse instante de perceber sentir comer a diferença entre o real técnico cotidiano alegre e festivo do mundo mito fantasia real-visceral que pode ter desespero e quedar no caos, porque juntos somos um corpo político enajado em vossos trabalhos, ofícios de completude da vida, o que torna ele o amor escolhido é justamente seu engajamento na vida, por isso o amo - ai, penso em Paris como uma cidade romântica, eu boba, boba, com o “novo mundo”, índia a descobrir e investigar em espionato filosófico esta cidade a comer em primeiros dias, ele já como eu do rio de janeiro, já saturado, somos piratas que saímos de nossas ilhas para des abafar (deixar de abafar, esconder) sobre os problemas ético, políticos, etc (ad infinitum).
ser sincero - e por isso que admito o caos, território selvagem, como necessário para podermos experimentar a mentira, a animalidade que não pensa, que intui, que escolhe ao acaso, que não teme o erro, que é o erro, a falsidade, a traição, o medo, a morte, em ficção e em arrogância (aí sim podemos criar no caos um espaço de hierarquia soberba, nós os poetas! a profissão do mundo!) - ser sincero na parte técnica da vida é fato q é necessário - aceitar sinceramente a diferença do outro, a estranheza que te causa, dos hábitos, da língua, do costume, da história, da peculiaridade na identidade de l’autre
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